No Rio Grande do Norte, 70 unidades (imóveis residenciais ou comerciais) geram sua própria eletricidade por meio de sistemas de fontes renováveis (solar e eólica). Indicadas como duas das energias mais limpas e benéficas para o meio ambiente, a dupla se torna também sinônimo de economia para o bolso do consumidor. De acordo com Resolução 482/2012 da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que estabelece entre suas diretrizes as regras de compensação de energia elétrica via micro e mini gerações de eletricidade, quem gera energia elétrica para o próprio consumo recebe uma compensação no valor da conta de luz.

A Companhia Energética do Rio Grande do Norte (Cosern) revela que; a tendência é o número de unidades nestas condições crescer. Até a tarde da última quinta-feira, a companhia já contava com mais 119 projetos de novos sistemas aprovados prontos para funcionamento. Somente em maio foram apresentados oito projetos para análise, número que, apesar de parecer pequeno, é bem superior ao que ocorria há dois ou três anos, quando no máximo duas solicitações eram feitas por mês.

Do contingente atual, a maior parte das instalações é de matriz fotovoltaicas, ou seja, que utiliza a energia do sol para gerar eletricidade. Das 70 unidades instaladas na rede da Cosern, 64 possuem geradores fotovoltaicos.

“Quando se fala em geração de grande porte no estado se verifica um quantitativo maior de usinas cuja fonte explorada é a eólica. Porém, quando se analisa as instalações de micro e mini geração, que são as geradoras instaladas nas unidades dos consumidores, o que se observa é o inverso: a fonte solar é mais amplamente explorada. No caso das instalações de micro e mini geração existentes nas unidades consumidoras da Cosern, verifica-se que mais de 90% são de fonte solar”, destacou o gerente do Departamento de Regulação Técnica e Comercial da Cosern, Dimitri Barros Pereira de Oliveira.

Qualquer consumidor pode participar da iniciativa desde que sua instalação esteja ligada à rede da companhia energética potiguar. O próximo passo é montar um projeto a ser apresentado para os técnicos da empresa com o detalhamento quanto aos equipamentos a serem utilizados na instalação, a Anotação de Responsabilidade Técnica (ART) de um engenheiro registrado no Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), e um diagrama (uma planta) das instalações de conexões. “A Cosern recebe, analisa e aprova os pedidos de conexão de unidades de micro e mini geração”, explica Dimitri.

. Depois de implantado o seu sistema particular, o consumidor-gerador (como nomeia a Cosern) vai ser beneficiado na sua conta de luz de acordo com a quantidade de watts extras lançados na rede da companhia. “Os consumidores que efetuam a instalação desse tipo de geração em suas unidades consumidoras obtém o benefício da compensação da energia gerada, ou seja, a geração de energia elétrica realizada é diminuída de seu consumo de energia elétrica”, explicou Dimitri.

Segundo o gerente, o uso de energias renováveis é o mais indicado para a preservação do meio ambiente porque, como o próprio nome diz, elas não acabam, como pode ocorrer com o petróleo ou carvão. Além disso, o sol e os ventos geram uma energia bem mais limpa do que ocorre em usinas. “As matrizes permitidas pela Aneel para as unidades de micro e mini geração são de fontes renováveis, ou seja, fontes de baixo ou nenhum impacto”, analisou.

Incentivos

Apesar de já trazer economia prática no bolso de seus adeptos e ter pontos fortes quanto ao desenvolvimento sustentável, as energias solar e eólica ainda não são amplamente exploradas no país. Segundo o responsável pelo Departamento de Regulação Técnica e Comercial da Cosern, Dimitri Barros, isso ocorre pelo alto custo dos equipamentos. Muita da tecnologia utilizada nos sistemas ainda está presente apenas no exterior. Com a alta recente do dólar, os valores só aumentam.

Além disso, somente agora linhas de crédito estão sendo criadas, algo que não acontecia há alguns anos. Um dos exemplos dessas novas oportunidades é o Banco do Nordeste, que lançou no final do último mês de maio uma linha de financiamento à micro e mini geração de energia elétrica.

O programa de crédito, chamado FNE Sol, está disponível às empresas da região nas agências do BNB. O benefício está disponível em toda a área de atuação da instituição, que inclui os nove estados nordestinos e o norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Segundo a assessoria de imprensa, as condições para acesso ao crédito do FNE Sol são; prazo de pagamento de até 12 anos, com até um ano de carência; financiamento de até 100% do investimento; e bônus de adimplência de 15%.

Segundo o BNB, o FNE Sol é destinado a empresas de todos os portes e setores, produtores e empresas rurais, cooperativas e associações. Podem ser financiados sistemas completos envolvendo geradores de energia, inversores, materiais auxiliares e instalação. Por enquanto os incentivos são para empresas, mas o Banco já anunciou que futuramente os incentivos devem se estender às pessoas físicas.

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