Lembra do Projeto Girassol, que apresentamos aqui mesmo no Draft no final do ano passado? Trata-se de uma pesquisa do Centro de Inovação da FCA em parceria com o CSEM Brasil, que usa células fotovoltaicas de baixo-custo como uma nova fonte de energia elétrica nos carros. Além de aliviar o alternador do veículo, a técnica reduz o consumo de combustível (já que a energia elétrica nos carros vem do giro do motor) e, em consequência, reduz também as emissões de gases poluentes.

Liderada pelo engenheiro Toshizaemom Noce – mais conhecido como “Toshi” -, a pesquisa analisou as medições de 30 veí­culos de diversos modelos (desses camuflados que às vezes você vê por aí­) durante pouco mais de um ano. “Precisávamos que as medições durassem um ano inteiro para levar em conta toda a trajetória solar”, explica Toshi. Os pesquisadores já sabiam que a insolação (incidência dos raios solares) era maior no Brasil do que na Europa, mas agora, com a conclusão da pesquisa, temos números para quantificar essa diferença.

“Nossa pesquisa mostrou que no Brasil essa média é de 205W”, informa Toshi. Ou seja, o Brasil tem 70% mais insolação que a Europa. Mas este não foi o único dado relevante. “O sombreamento na Europa é de 50%. Isso significa que metade da energia captada pelas células é perdida na sombra. No Brasil, o ângulo de incidência dos raios solares é mais vertical, o que gera menos sombra. Aqui, medimos apenas 25% de sombreamento”.

Como efeito, as perdas de geração de energia solar no Brasil são metade da referência europeia. O que a combinação desses números revela é que a geografia brasileira é mais de duas vezes mais vantajosa do que a europeia para a utilização da energia solar nos veículos.  Um número bastante expressivo, que comprova a vocação brasileira para a energia mais limpa. Mais uma riqueza natural tupiniquim!

Pois saiba que existe ainda um terceiro dado a ser considerado. “Por causa da característica do nosso trânsito, a média de consumo de combustível é maior no Brasil do que na Europa, muito embora o ní­vel da tecnologia dos motores seja o mesmo”, explica Toshi, de acordo com os dados coletados no estudo. Esta desvantagem, no entanto, significa que, com o uso da energia solar, a economia seria ainda mais expressiva, acompanhada da redução das emissões de poluentes. E isso é só o começo.

Neste momento, os dados da pesquisa estão sendo organizados e preparados para publicação. Assim, os resultados estarão disponí­veis para serem considerados nos planos para o futuro. “Não temos previsão de implantação ainda”, explica Toshi. “A publicação da pesquisa significa que agora já sabemos quanto a tecnologia vai gerar de economia, quanto vai custar a implantação etc. Agora as áreas responsáveis poderão usar essas informações para inovar no futuro”, conclui.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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